Zine Travessão # Especial Vincent Van Gogh

Esta é a primeira edição do fanzine Travessão, sobre Vincent Van Gogh, resultado dos encontros iniciais do projeto Zine Travessa, realizados em novembro e dezembro de 2016, na Livraria da Travessa de Ribeirão Preto/SP.

O projeto, do qual sou curador, reúne, todos os meses, quadrinistas, escritores, artistas plásticos e digitais e pessoas criativas em geral para uma tarde de produção de fanzines e um bom papo em torno da cultura e das artes.

A partir deste mês de fevereiro de 2019, todas as edições já produzidas nos 24 encontros realizados até aqui serão relançadas em versão on-line. Leia abaixo o Travessão # Especial Van Gogh.

 

Todo pintor é maluco?

Que me perdoem os amigos pintores, mas a pergunta está em um diálogo na tela do cinema. “Só os bons”, responde Vincent Van Gogh ao colega de sanatório, um ex-combatente de guerra.

Contrariando as indicações para ‘Vice’ ou o novo de Spike Lee, fui à primeira sessão de ‘No Portal da Eternidade’, com um Willem Dafoe perfeito no corpo e na alma do gênio holandês. Na verdade, mais do que assistir a um filme, eu queria mesmo era uma deixa para voltar a escrever sobre cinema, coisa que não faço há uns seis, sete anos.

Antes da sala escurecer de vez fiquei matutando o que motivou minha escolha. Lembrei de dona Dalva, minha mãe, e de sua coleção “Gênios da Pintura”. Foi naquelas revistas que tive meu primeiro contato com o que chamamos de arte. Também havia o programa do Daniel Azulay na TV, mas aí já é outra história.

Me lembrei também daquelas que talvez sejam minhas primeiras sessões de cinema: “Tubarão” e “King Kong”, lá pela metade dos anos 70. Eu pensava que o termo ‘arrasa-quarteirão’ se devia ao fato das filas para estes dois filmes, em cartaz no Cine Plaza, dobrarem a esquina do exuberante casarão do doutor Camilo de Mattos.

Toda vez que passo naquela esquina da Duque com a Tibiriçá, dou um leve toque na muretinha do abandonado casarão. Um leve toque de saudade das minhas primeiras sessões de cinema com a dona Dalva.

Corte rápido de cena, surge uma simpatia de senhora que, acompanhada da filha e de outra garota, saúda os outros sete espectadores daquela sessão de quinta-feira com um afável cumprimento de boa tarde. E como não se toca mais música antes do filme começar, a mulher puxou conversa e encasquetou que me conhecia.

– Eu estudei com você no colégio Industrial, não é mesmo?

– Acho que não, pois eu não estudei no Industrial, estudei no Mousinho…

– Você morou nos Campos Elíseos?

– Sim, morei na infância e adolescência, no final da Tamandaré…

– Então é isso, eu te via lá perto do Industrial. Você é professor?

– Não, eu sou jornalista…

– Então é isso! Você aparece na televisão?

– Não, eu sempre trabalhei em jornal impresso…

– Ah, no A Cidade, né? Você ia comer no San Sebastian?

– Sim, quando a fome apertava, era uma opção lá pelos lados da São Sebastião…

– Viu, eu te conheço! Meu nome é Dalva…

– O meu é Angelo… Ah, minha mãe também se chamava Dalva…

– Só Dalva? Eu sou Dalva Cristina…

– Dalva Inês…

– Bonito também… Já vai começar, bom filme.

– Bom filme para a senhora também.

E não é que o filme é bom mesmo? O diretor Julian Schnabel mostra um Van Gogh ciente da condição de transtornado com as visões que tinha e com as vozes que ouvia e, mais do que isso, sabedor de que sua arte não era feita para a sua geração, mas para os tempos futuros.

Não são poucas as cenas em que alguém aparece para lhe perguntar se ele realmente se achava um pintor.

– Você fica pintando estas flores, mas sabe que elas vão murchar e morrer…

– Não as minhas. As minhas flores serão eternas.

Preste atenção quando a câmera simula o olhar de Van Gogh. As imagens vão ficando cada vez mais amareladas e ainda mais afetadas pelas lágrimas das retinas do pintor.

Sim, Vincent Van Gogh era um pintor. Um pintor dos bons. E por isso mesmo, maluco.

E este texto, que era para ser uma crítica de cinema, virou uma crônica. Quem sabe nos próximos filmes eu acerto?

Inteligência Artificial: Ameaça ou Oportunidade?

Quando se pensa em Inteligência Artificial (IA), impossível não se lembrar da velha expressão popular: o copo está meio cheio ou meio vazio? No momento em que o trabalho das máquinas já é uma realidade em diversas áreas profissionais, cabe a cada um de nós encarar a situação como uma ameaça ou uma oportunidade.

“Não há como negar que a Inteligência Artificial tem grande impacto no mercado de trabalho, e isso ocorre de duas maneiras. Primeiro, na substituição do trabalho humano. Mas, por outro lado, em uma segunda visão, ela serve como um complemento, tornando determinados profissionais muito mais produtivos”, avalia Felipe Maia Polo, 23 anos, graduando em Economia pela USP (Universidade de São Paulo) em Ribeirão Preto (SP) e presidente fundador do Neuron – Data Science and Artificial Intelligence, grupo que investe na educação para difusão dos conceitos da Ciência de Dados… Leia a matéria completa

 

Esta reportagem foi publicada na revista Abeeon Empreende, em sua segunda edição, que circula em dezembro/2018 – janeiro/2019. Além desta matéria de 4 páginas, esta edição tem uma outra reportagem com a minha assinatura, uma entrevista com o humorista Roberto Edson, que fala sobre sua carreira artística e como manter o bom humor em tempos de crise. Tenho um carinho muito grande por estas duas matérias, pois representam o meu retorno à reportagem depois das experiências incríveis que tive nos meus 13 anos de jornal A Cidade.

Zine Zero # Especial Ignácio de Loyola Brandão

Um fanzine com textos de Ignácio de Loyola Brandão adaptados para os quadrinhos. Trabalhos de Alexandre Nascimento, Angelo Davanço, Arnaldo Jr., Arnaldo Neto, Cordeiro de Sá, Denis Pimentão, Gustavo Falcão, João Francisco Aguiar, Vinil e Vitor Pandão. Leia o zine abaixo:

Este foi um dos grandes trabalhos que realizei em 2018. Tudo começou com a pergunta clássica: “E aí, Loyola, vamos fazer um fanzine?”. Com o sim dele e a escolha dos textos pelo próprio autor, foi só reunir um time de gente de muito talento para, pela primeira vez, mostrar a obra do premiado escritor Ignácio de Loyola Brandão em versão História em Quadrinhos. O zine foi lançado em um salão de ideias na Feira do Livro de Ribeirão Preto, em maio de 2018, com a presença do Loyola que, dias depois, publicou um artigo na imprensa falando sobre como havia se tornado um fanzineiro.

O humor em tempos de crise

Um país com 12,5 milhões de desocupados, 23,5% da população composta por quem não consegue pagar suas contas em dia, em que 33 milhões de pessoas não têm onde morar e que o salário mínimo não dá para suprir as necessidades básicas de um cidadão, como alimentação, moradia e saúde. É ou não é um cenário para deixar qualquer um mal-humorado?

Até mesmo quem vive do riso corre o risco de ficar de cara amarrada quando a crise bate à porta. E foi isso o que aconteceu com o ator e humorista Roberto Edson, 47 anos, de Ribeirão Preto (SP)… Leia a matéria completa

 

Esta foi minha reportagem de estreia na revista Abeeon Empreende, em sua segunda edição, que circula em dezembro/2018 – janeiro/2019. Além desta entrevista, que foi capa da revista, esta edição tem uma outra reportagem com a minha assinatura, sobre os desafios da Inteligência Artificial para as carreiras. Tenho um carinho muito grande por estas duas matérias, pois representam o meu retorno à reportagem depois das experiências incríveis que tive nos meus 13 anos de jornal A Cidade.