Zine Travessa ganha destaque na revista Revide

Em sua edição de 22 de fevereiro de 2019, a revista semanal Revide, de Ribeirão Preto/SP, traz uma reportagem de capa sobre ações que buscam incentivar a manutenção do hábito da leitura e mostram caminhos alternativos para driblar a crise no mercado editorial.

Um dos exemplos mostrados pela repórter Bruna Romão é o projeto Zine Travessa, que criei há três anos e que hoje é um ponto de encontro mensal para quadrinistas, escritores e gente interessada em artes e em um bom papo.

Ao abraçar o ideia, em meados de 2016, a Livraria da Travessa mostrou que, mais do que um local para consumo de cultura, uma livraria pode ser um ponto de produção cultural. E é isso o que temos feito desde então!

Clique aqui e leia a reportagem completa.

Revista Onda Azul # 2

Terminei o ano de 2018 com muito trabalho, e um dos mais gratificantes foi ter participado, junto à equipe da Verbo Nostro Comunicação Planejada, da produção da segunda edição da revista anual Onda Azul, uma publicação institucional da Vitta Residencial, empresa com quase dez anos de atuação no mercado de construção civil de Ribeirão Preto e em outras regiões do interior paulista.

Foram três semanas de imersão no ambiente de uma empresa que não para quieta e não para de crescer, que não tem medo de se arriscar na inovação e, por isso mesmo, vai se tornando pioneira em vários setores da atividade econômica a que se dedica.

Zine Travessão # Especial Vincent Van Gogh

Esta é a primeira edição do fanzine Travessão, sobre Vincent Van Gogh, resultado dos encontros iniciais do projeto Zine Travessa, realizados em novembro e dezembro de 2016, na Livraria da Travessa de Ribeirão Preto/SP.

O projeto, do qual sou curador, reúne, todos os meses, quadrinistas, escritores, artistas plásticos e digitais e pessoas criativas em geral para uma tarde de produção de fanzines e um bom papo em torno da cultura e das artes.

A partir deste mês de fevereiro de 2019, todas as edições já produzidas nos 24 encontros realizados até aqui serão relançadas em versão on-line. Leia abaixo o Travessão # Especial Van Gogh.

 

Todo pintor é maluco?

Que me perdoem os amigos pintores, mas a pergunta está em um diálogo na tela do cinema. “Só os bons”, responde Vincent Van Gogh ao colega de sanatório, um ex-combatente de guerra.

Contrariando as indicações para ‘Vice’ ou o novo de Spike Lee, fui à primeira sessão de ‘No Portal da Eternidade’, com um Willem Dafoe perfeito no corpo e na alma do gênio holandês. Na verdade, mais do que assistir a um filme, eu queria mesmo era uma deixa para voltar a escrever sobre cinema, coisa que não faço há uns seis, sete anos.

Antes da sala escurecer de vez fiquei matutando o que motivou minha escolha. Lembrei de dona Dalva, minha mãe, e de sua coleção “Gênios da Pintura”. Foi naquelas revistas que tive meu primeiro contato com o que chamamos de arte. Também havia o programa do Daniel Azulay na TV, mas aí já é outra história.

Me lembrei também daquelas que talvez sejam minhas primeiras sessões de cinema: “Tubarão” e “King Kong”, lá pela metade dos anos 70. Eu pensava que o termo ‘arrasa-quarteirão’ se devia ao fato das filas para estes dois filmes, em cartaz no Cine Plaza, dobrarem a esquina do exuberante casarão do doutor Camilo de Mattos.

Toda vez que passo naquela esquina da Duque com a Tibiriçá, dou um leve toque na muretinha do abandonado casarão. Um leve toque de saudade das minhas primeiras sessões de cinema com a dona Dalva.

Corte rápido de cena, surge uma simpatia de senhora que, acompanhada da filha e de outra garota, saúda os outros sete espectadores daquela sessão de quinta-feira com um afável cumprimento de boa tarde. E como não se toca mais música antes do filme começar, a mulher puxou conversa e encasquetou que me conhecia.

– Eu estudei com você no colégio Industrial, não é mesmo?

– Acho que não, pois eu não estudei no Industrial, estudei no Mousinho…

– Você morou nos Campos Elíseos?

– Sim, morei na infância e adolescência, no final da Tamandaré…

– Então é isso, eu te via lá perto do Industrial. Você é professor?

– Não, eu sou jornalista…

– Então é isso! Você aparece na televisão?

– Não, eu sempre trabalhei em jornal impresso…

– Ah, no A Cidade, né? Você ia comer no San Sebastian?

– Sim, quando a fome apertava, era uma opção lá pelos lados da São Sebastião…

– Viu, eu te conheço! Meu nome é Dalva…

– O meu é Angelo… Ah, minha mãe também se chamava Dalva…

– Só Dalva? Eu sou Dalva Cristina…

– Dalva Inês…

– Bonito também… Já vai começar, bom filme.

– Bom filme para a senhora também.

E não é que o filme é bom mesmo? O diretor Julian Schnabel mostra um Van Gogh ciente da condição de transtornado com as visões que tinha e com as vozes que ouvia e, mais do que isso, sabedor de que sua arte não era feita para a sua geração, mas para os tempos futuros.

Não são poucas as cenas em que alguém aparece para lhe perguntar se ele realmente se achava um pintor.

– Você fica pintando estas flores, mas sabe que elas vão murchar e morrer…

– Não as minhas. As minhas flores serão eternas.

Preste atenção quando a câmera simula o olhar de Van Gogh. As imagens vão ficando cada vez mais amareladas e ainda mais afetadas pelas lágrimas das retinas do pintor.

Sim, Vincent Van Gogh era um pintor. Um pintor dos bons. E por isso mesmo, maluco.

E este texto, que era para ser uma crítica de cinema, virou uma crônica. Quem sabe nos próximos filmes eu acerto?