Post 1 – Minha biografia

Foto: Matheus Urenha

Eu já enfiei um prego na testa, numa trombada com um caixote de madeira, nos tempos das Minas Gerais. Já levei seis pontos no joelho depois de jogar bola numa rua sem saída dos Campos Elíseos. Já fui atropelado duas vezes por uma bicicleta.

Já me fantasiei de índio no Carnaval. Eu já tomei caipirinha com groselha antes da folia começar. Já briguei no meio do salão, bem na hora do show do Luiz Ayrão.

Eu já tive noites intermináveis de insônia. Noites que viraram semanas em claro depois que um pai de santo disse que era pra “mizifio não se preocupar que o preto velho vai ficar lá, até você dormir”. Eu já cochilei na missa. Já furtei goiaba no quintal da igreja.

Já usei Kichute amarrado na canela. Eu já cortei o cabelo no formato tigela. Já vesti calça laranja e camiseta verde-limão.

Uma vez eu falei da minha dor de dente para a secretária de uma gráfica, que gentilmente me explicou que o dentista ficava na porta ao lado.

Eu já tomei cerveja com um futuro ex-ministro da Fazenda num boteco de esquina no Ipiranga. Já dei carona para o Edgard Scandurra no meu Fusca. Já andei com os Titãs pra lá e pra cá.

Já comi buchada de bode. Só fui ao McDonalds depois dos 40 anos. Dispenso pratos com coco.

Eu já andei à toa pelas ruas de Düsseldorf. Já me enfiei no meio do sertão de Pernambuco só pra fotografar. Eu dormi assistindo Avatar. Eu já ameacei pousos e decolagens, colocando uma “rádio pirata” no ar.

Pois então é isso. Aí vão alguns temas para quem quiser escrever a minha biografia. Eu só não autorizo a parte que narra aquela vez que eu comprei um disco do Capital Inicial. O resto pode contar.

 

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